As Cinco Feridas que impedem a felicidade

As Cinco Feridas que Impedem a Felicidade

E porque uma das maiores limitações são as dores emocionais, por vezes tão bem camufladas que fica difícil até ao próprio percebê-las, mas que tem um impacto profundo e destrutivo no mundo de cada um de nós.

Feridas emocionais são todas as memórias que fazem disparar as mesmas emoções ou emoções equivalentes às que experimentámos no momento dos acontecimentos negativos e arrebatadores. Fazem-se sentir sempre que um gatilho externo nos relembra o acontecimento indesejado, alterando assim o  nosso estado de espírito, provocando dor emocional.

Recomendamos o livro “As Cinco Feridas que Impedem a Felicidade” porque é um belo instrumento para identificar o que em nós nos faz sofrer e o modo como podemos sarar tais feridas de forma a obtermos equilíbrio e paz emocional.

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Deixo aqui a introdução deste livro como forma de despertar interesse…

Criação das Feridas e das Máscaras

Quando uma criança nasce, sabe no mais fundo de si que a razão por que encarna é ser ela própria ao mesmo tempo que vive múltiplas experiências. Aliás, a sua alma escolheu a família e o ambiente nos quais ela nasce com um objetivo muito preciso. Ao virmos a este planeta, todos temos a mesma missão: vivermos experiências até as aceitarmos e amarmo-nos através delas.

Enquanto uma experiência é vivida na não aceitação, ou seja, no julgamento, na culpabilização, no medo, no remorso ou em qualquer outra forma de não aceitação, o ser humano atrai constantemente as circunstâncias e as pessoas que lhe fazem reviver essa experiência. Alguns não só experimentam o mesmo tipo de acontecimentos várias vezes ao longo da vida, como têm de reencarnar, em certos casos repetidamente, até conseguirem aceitá-lo completamente.

Aceitar uma experiência não significa que ela represente a nossa preferência ou que estejamos de acordo com ela. Trata-se antes de darmos a nós próprios o direito de experimentarmos e aprendermos através do que vivemos. Devemos sobretudo aprender a reconhecer o que é benéfico para nós e o que não o é. O único meio de lá chegar é ganhando consciência das consequências da experiência. Tudo o que decidimos ou não, o que fazemos ou não fazemos, o que dizemos ou não e até o que pensamos ou sentimos arrasta consequências.

O ser humano quer viver de uma forma cada vez mais inteligente. Quando se apercebe de que uma experiência acarreta consequências nocivas, em vez de se censurar ou de querer mal a outro, deve, simplesmente, aprender a aceitar que a escolheu (ainda que inconscientemente), embora não fosse a solução inteligente para ele. Lembrar-se-á dela mais tarde. É assim que se vive uma experiência na aceitação. Em compensação, recordo  -te que mesmo que digas para contigo: «Não quero voltar a viver isto», tudo recomeça. Deves conceder-te o direito de repetir diversas vezes o mesmo erro ou a mesma experiência desagradável antes de teres a vontade e a coragem necessárias para te transformares. Porque é que não o compreendemos à primeira? Por causa do nosso ego, alimentado pelas nossas crenças.

Todos nós temos imensas crenças que nos impedem de sermos aquilo que queremos ser. Quanto mais essas maneiras de pensar ou essas crenças nos fazem sofrer, mais as tentamos ocultar. Chegamos mesmo a acreditar que elas já não nos pertencem. Conseguir resolvê-las exige, portanto, que encarnemos diversas vezes. Só quando os nossos corpos mental, emocional e físico escutarem o nosso DEUS interior é que a nossa alma será completamente feliz.

Tudo o que é vivido na não aceitação acumula-se ao nível da alma. Esta, como é imortal, regressa sob diversas formas humanas com a bagagem acumulada na sua memória de alma. Antes de nascermos, decidimos o que queremos vir resolver durante essa próxima encarnação. Essa decisão e tudo quanto acumulámos no passado não fica registado na nossa memória consciente, ou seja, naquela que deriva do intelecto. Só ao longo da vida é que nos tornamos gradualmente conscientes do nosso plano de vida e do que temos de resolver.

Quando faço alusão a qualquer coisa «não resolvida», refiro-me sempre a uma experiência vivida na não aceitação de si. Há uma diferença entre aceitar uma experiência e aceitar-se a si próprio. Tomemos o exemplo de uma jovem que foi rejeitada pelo pai, porque este desejava um rapaz. Num caso destes, aceitar a experiência consiste em dar o direito ao pai de ter desejado um rapaz e de ter rejeitado a filha. A aceitação de si, para esta rapariga, consiste em conceder-se o direito de ter ficado zangada com o pai e de se perdoar por lhe ter querido mal. Não deve subsistir nenhum juízo em relação ao pai e a si própria, apenas compaixão e compreensão pela parte que sofre em cada um deles.

Ela saberá que esta experiência estará completamente resolvida quando se permitir a si própria fazer ou dizer alguma coisa que poderia levar o outro a viver a rejeição (mesmo sem intenção, o resultado será este, se a outra pessoa viver a ferida da rejeição).  Existe outra forma de ela saber que este género de situação foi verdadeiramente resolvido e vivido na aceitação: a pessoa que ela terá «rejeitado» não lhe quererá mal por isso, pois saberá que acontece a todos os seres humanos, a dado momento da sua vida, rejeitarem alguém.

Não deixes que o ego te pregue partidas, porque ele tenta muitas vezes, por todos os meios, fazer-nos crer que resolvemos uma situação. É frequente dizermos para connosco: «Sim, compreendo que o outro tenha agido assim», para não termos de olhar para nós, para não termos de nos perdoar. O nosso ego tenta encontrar, assim, uma maneira furtiva de afastar as situações desagradáveis. Acontece que aceitamos uma situação ou uma pessoa sem, no entanto, nos termos perdoado ou concedido o direito de lhe termos querido mal ou de ainda lhe querermos mal. A isso chama-se «aceitar apenas a experiência». Repito: «É importante estabelecer a diferença entre a aceitação da experiência e a aceitação de si.» Esta aceitação é difícil de concretizar, porque o nosso ego não quer admitir que todas as experiências difíceis que vivemos têm como único objetivo mostrar  -nos que agimos da mesma maneira com o outro.

Já verificaste que quando acusas alguém de alguma coisa, essa mesma pessoa acusa-te do mesmo?

Por isso, é tão importante aprendermos a conhecer -nos e a aceitar-nos o mais possível. É o que nos garante vivermos cada vez menos situações de sofrimento. Só a ti compete decidires controlar-te para te tornares senhor da tua vida, em vez de deixares que o teu ego te controle. Porém, enfrentar tudo isso exige muita coragem, porque se toca inevitavelmente em velhas feridas que podem doer muito, sobretudo se as arrastamos já há várias vidas. Quanto mais sofres com uma situação ou uma determinada pessoa, mais de longe vem o problema.

Podes contar com a ajuda do teu DEUS interior que é omnisciente (ELE conhece tudo), omnipresente (ELE está em toda a parte) e omnipotente (ELE é todo-poderoso). Esse poder está sempre presente e a atuar em ti. Ele atua de forma a guiar-te para as pessoas e as situações que te são necessárias para crescer e evoluir, segundo o plano de vida escolhido antes do teu nascimento.

Antes mesmo de nasceres, o teu DEUS interior atrai a tua alma para o ambiente e a família de que vais precisar na tua próxima vida. Essa atração magnética e esses objetivos são determinados, por um lado, porque não conseguiste ainda viver no amor e na aceitação nas tuas vidas anteriores e, por outro lado, porque os teus futuros pais têm coisas a resolver através de um filho como tu. É isso que explica que os filhos e os pais tenham, em geral, as mesmas feridas a tratar.

Quando nasces, já não tens consciência de todo esse passado, porque te concentras sobretudo nas necessidades da tua alma, que quer que tu te aceites com os teus conhecimentos, os teus defeitos, as tuas forças, as tuas fraquezas, os teus desejos, a tua personalidade, etc. Todos precisamos disso, contudo, pouco depois de nascermos, apercebemo-nos de que quando ousamos ser nós próprios, isso incomoda o mundo dos adultos ou o dos nossos parentes. Daí deduzimos que ser natural não está certo, não é correto.

Essa descoberta é dolorosa e provoca, sobretudo nas crianças, crises de cólera. Estas tornam-se tão frequentes que acabamos por achar que são normais. Chamamos-lhes «crises (ou birras) da infância» ou «crises da adolescência». Tornaram-se talvez normais para os seres humanos, mas não são, com certeza, naturais. Uma criança que age naturalmente, que é equilibrada e que tem o direito de ser ela própria não manifesta esse tipo de crises. Infelizmente, esse tipo de criança quase não existe. Observei que a maior parte das crianças passa pelas quatro etapas seguintes:

Depois de ter conhecido a alegria de ser ela própria, a primeira etapa da sua existência, conhece a dor de não ter o direito de agir assim, que é a segunda etapa. Segue-se o período de crise e a revolta, a terceira etapa. Para reduzir a dor, a criança resigna-se e acaba por criar uma nova personalidade para se tornar o que os outros querem que seja. Algumas pessoas permanecem atoladas na terceira etapa durante toda a vida, o que significa que estão permanentemente encolerizadas ou em situação de crise. É durante a terceira e a quarta etapas que criamos várias máscaras (novas personalidades) que servem para nos proteger do sofrimento vivido durante a segunda etapa. Essas máscaras são cinco e correspondem a cinco grandes feridas de base sofridas pelo ser humano. Os numerosos anos de observação permitiram-me perceber que todos os sofrimentos do ser humano podem ser condensados em cinco feridas. Ei-las por ordem cronológica, ou seja, pela ordem em que cada uma delas surge ao longo de uma vida.

Rejeição | Abandono | Humilhação

Traição | Injustiça

Cada vez que acreditamos sofrer ou pensamos dar vida a uma dessas feridas, todo o nosso ser se sente traído. Não somos fiéis ao nosso DEUS interior, às necessidades do nosso ser, porque deixamos o nosso ego com as suas crenças e os seus medos dirigir a nossa vida. A colocação de máscaras é a consequência de querermos esconder de nós próprios e dos outros o que ainda não quisemos resolver. Estes segredinhos são uma forma de traição.

Essas feridas e essas máscaras serão explicadas em pormenor nos capítulos seguintes. A máscara tem maior ou menor importância em função do grau da ferida. Uma máscara representa um tipo de pessoa com um carácter que lhe é próprio, após o desenvolvimento de muitas crenças que irão influenciar a sua atitude interior e os seus comportamentos. Quanto mais importante é a ferida, mais frequentemente sofrerás com ela, o que te obrigará a usar mais vezes a tua máscara.

Só usamos uma máscara quando temos necessidade de nos proteger. Por exemplo, quando uma pessoa sente a injustiça, na sequência de determinado acontecimento, quando acha que foi injusta ou quando tem receio de ser considerada injusta, adota a sua máscara de rígido, ou seja, o comportamento de uma pessoa rígida.

A descrição do comportamento e das atitudes ligadas às diferentes feridas pode parecer negativa. Ao reconheceres a tua ferida pode acontecer que reajas à descrição da máscara que criaste no sentido de evitar o sofrimento. Essa resistência é muito normal e humana. Dá tempo ao tempo. Lembra-te de que, tal como acontece às pessoas que te rodeiam, quando é a tua máscara que te faz agir, não estás a ser tu próprio. Não é tranquilizador saber que quando um comportamento dos outros te incomoda ou te desagrada, isso quer dizer que essas pessoas acabam de pôr a sua máscara para evitar sofrer? Tendo isso em mente serás mais tolerante e ser-te-à mais fácil olhar para elas com amor…

Livro: As Cinco Feridas Que impedem a felicidade
Autor Lise Bourbeau
Editora: Pergaminho
Última edição: agosto de 2013
ISBN: 9789896871567

Descrição do livro…

Por vezes tem a impressão de andar à deriva no seu percurso pessoal? De estar preso num círculo vicioso de compulsões e más decisões? Acontece-lhe ver ressurgir um problema que pensava já estar resolvido? Então, pode ser que esteja à procura das soluções no sítio errado…Neste seu novo livro, Lise Bourbeau, autora de vários bestsellers internacionais e uma das autoras de maior sucesso no campo do desenvolvimento pessoal, demonstra que todos os problemas de ordem física, emocional ou mental provêm de cinco feridas importantes: a rejeição, o abandono, a humilhação, a traição e a injustiça. Graças à descrição muito pormenorizada dessas feridas e das máscaras que desenvolvemos para não as vermos, não as sentirmos e, sobretudo, não as conhecermos, conseguiremos identificar a verdadeira causa dos problemas concretos da nossa vida. “As Cinco Feridas” é um livro capaz de nos reconduzir ao caminho da cura autêntica, que nos permite atingir o verdadeiro segredo da felicidade: sermos nós próprios. Descobriremos também as grandes forças inatas em cada um de nós, que contribuirão para realizarmos plenamente a nossa vida